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sexta-feira, setembro 21, 2012


Monteiro Lobato, sua obra é racista?!

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Oi gente!
O post de hoje é uma crítica ao texto "Emília e o racismo em Lobato", do jornalista Marcelo Carneiro. A crítica foi escrita por duas pessoas maravilhosas, o Éric Meireles e a Jeeny Azevedo.

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Por melhor que seja a intenção de Marcelo Cunha, em contrapor-se a demonização e proibição das leituras das obras de Monteiro Lobato e, também, ao analisar o anacronismo, pautando uma obra escrita há tempos, com olhar traduzido apenas no presente, o jornalista incorre em dois erros: o de não suplantar o olhar multicultural e em uma apresentação um tanto deturpada de Monteiro Lobato, posto como um racista, vítima de seu período histórico.

As próprias obras do “Sítio do Pica Pau Amarelo” põem em contradição essa afirmativa, haja vista o papel protagonista de Tia Anastácia, pois de suas mãos nascem outros grandes personagens, como Emilia e Visconde. Sem contar sua sabedoria notável, oral e vívida dos descendentes dos escravos plantadores de café do Vale do Paraíba, assim como Tio Barnabé, sabedoria essa que o autor faz questão de apresentar!

Além dessa, temos também o Saci, figura mítica secular de maior expressão nacional, posto, hoje, nas barbas cruéis da censura politicamente correta. Afinal, é um menino que fuma um cachimbo, fala palavrões e é travesso, não é?!

A contradição central, no texto do jornalista Marcelo Cunha, se dá ao analisar Monteiro Lobato nos limites dos olhares ideológicos do Multiculturalismo (visão cultural bipolar, importante para os países anglo-saxões, mas de pouca eficácia analítica e referencial de nosso país, notavelmente mestiço e multifacetado).

Aqui, antes de afirmar se é ou não racista, precisamos entender a mistura de brancos, índios e negros, de seus papéis de sujeitos e coparticipantes na construção de nossa identidade e história nacional. Não devemos segmentá-los! Separar Tia Anastácia, Tio Barnabé e Saci de forma estanque, além de autonomizá-los e isolá-los, dos outros personagens do livro, por serem negros, é constituir um assassinato literário à obra e ao seu autor.

Por fim, vale destacar que é preciso, ao analisar um texto literário, separar a obra de seu autor. O homem Monteiro Lobato, para nossa história, está acima de uma discussão, ainda muito superficial, sobre ser ou não racista. Indubitavelmente, ele foi um grande brasileiro, pacifista e visionário das potencialidades nacionais, vide seu olhar sobre nosso petróleo e em defesa do desenvolvimento do Brasil.

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