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domingo, julho 01, 2012


Filme: Confiar.

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No drama “Confiar” nos deparamos com temas como a pedofilia, o anonimato na internet e a confiança nas pessoas nos dias atuais, onde trocamos tantas informações com “amigos” virtuais.

Quando a jovem Annie Cameron (Liana Liberato) ganha em seu aniversário de 14 anos um aparelho macbook, nem imaginava que sua vida estava para sofrer um impacto desnorteador.

Com uma família bem estruturada, pais amorosos e presentes, um irmão mais velho e uma irmã mais nova, Annie é uma típica garota de classe média. Com uma vida escolar regular, uma melhor amiga e o sonho de entrar para a equipe de vôlei da escola.

Quando entra em uma sala de bate-papo ela inicia uma relação com um jovem chamado Charlie, que inicialmente afirma ter 16 anos e cursar o ginásio. Digo inicialmente, pois como o passar do tempo ele revela ter 20 anos e cursar a faculdade. Annie, mesmo não gostando muito da mentira, perdoa o "amigo" e continuam o relacionamento.

Tempos depois, quando a jovem e seu "namorado" virtual trocam mensagens apaixonadas, este lhe faz mais uma revelação: não possui 20 anos, mas 25 e já concluiu a universidade. Annie já se encontra apaixonada por Charlie de tal forma que alega que a idade não importa. Aproveitando o momento em que seus pais  Will (Clive Owen e Lynn (Catherine Keener) viajam com seu irmão Peter (Spencer Curnutt) para a cidade na qual este fará os estudos universitários e marca um encontro com Charlie em um shopping.

Lá, Annie encontra Charlie e descobre que esse é um homem de cerca de 35 anos, mesmo assim, graças a paixão que ele alega ter por ela e que ela nutre por ele, os dois vão até um motel. O inevitável ocorre: mesmo relutante, Annie mantém relações sexuais com Charlie, ou melhor dizendo, deita-se na cama, fita o teto e deixa que ele faça o que quer.
 
Dias depois, a jovem entra em depressão ao ser ignorada pelo "namorado" que não responde mais a suas mensagens nem telefonemas. O caso ficaria assim não fosse o fato de seu melhor amiga, Brittany (Zoe Levin), tê-la visto no shopping em companhia de um homem estranho. Desconfiada de que aquele sujeito era o namorado virtual da amiga, ela, após abordá-la e descobrir o que aconteceu, leva o caso à diretoria da escola. É aí que o mundo da jovem e de sua família vira de cabeça para baixo.

No trabalho, Will recebe o telefonema da esposa e parte para o hospital, lá descobre que sua filha está se submetendo a exames por ter sido abusada sexualmente por um sujeito com quem se correspondia na internet. Perplexo, o pai de Annie é tomado por uma sensação de culpa.

Enquanto seu pai entra em uma perigosa obseção em ajudar o FBI a encontra o estuprador de Annie, a garota resiste a se vê como uma vítima. Não entende o porquê de seus pais terem envolvido a polícia na história. Não sou psicólogo, mas não é incomum vermos esse tipo de comportamento em vítimas de estupro quando não existe a violência física. Seduzida, Annie acredita estar apaixonada por Charlie e encara a atitude dos pais como uma forma de impedir que ela e seu amado fiquem juntos. Nem mesmo as terapias com a Dra. Gail Friedman (Viola Davis) parecem ajudar a garota.

Seu pai, por outro lado, adota um comportamento cada vez mais obsecado, vigia um maníaco sexual da região onde moram, graças ao programa existente nos EUA - onde é criado um banco de dados com criminosos sexuais e os lugares onde eles residem, bem como outros detalhes - e, durante as noites, passa-se por uma jovem e bate-papo com desconhecidos na Net.
 
Somente quando descobre que o suposto Charlie pode ser o responsável por outros abusos é que Annie sai da zona de distanciamento em que se encontra e se depara com a realidade que ela queria a todo o custo evitar: foi sim vítima de estupro. Para piorar ela sofre bullying na escola e tenta suicídio. Graças a intervenção de Brittany seu pai chega a tempo de evitar sua morte. Depois disso, Annie e seu pai conversam sobre o que aconteceu e decidem que é hora de retomar suas vidas.

 Daí em diante, a jovem e sua família tentam retomar a vida, enquanto o caso é investigado pelo FBI.

O filme, dirigido por  David Schwimmer (o eterno Ross da série Friends), mantém a tensão e o drama equilibrados, não há exageros e a questão da pedofilia é trabalhada de forma coerente e delicada, como deve ser tratado um assunto sério. 

Não vou revelar o final, o meu objetivo não é esse. Surpreendo-me vendo o tamanho do texto. Prometo ser mais conciso nas futuras postagens, afinal não posso revelar muito sobre o enredo, ora. Mas o filme "Confiar" trás em seu bojo muitas questões relevantes e sobre as quais devemos refletir um pouco.

Quantos casos parecidos com o de Annie você conhece, leitor? São muitos, hem? A Internet trouxe muitas utilidades e comodidades a nossas vidas, mas também tem suas desvantagens. Há pouco tempo, um projeto de lei visava criar um programa similar ao existente nos EUA. Um cadastro com o nome e outras informações de criminosos sexuais seria criado e aberto para pesquisa pública. Assim, por exemplo, um diretor de escola, antes de admitir a seu serviço um zelador, poderia verificar se o mesmo já cumpriu pena por violência sexual contra crianças. Claro, existiram inúmeros protestos contra a criação da lei, alguns afirmavam que ela violaria os direitos dos indivíduos que cumpriram pena e desejam reintegrar-se novamente a sociedade; outro lado afirmava que o mais importante é preservar a segurança das crianças e adolescentes. E você leitor, o que diz sobre isso?




Max.
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