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domingo, novembro 06, 2011


Batalha Cinematográfica #1: Orgulho e Preconceito (1940 x 2005)

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Olá, queridos!

Estou de volta com um projeto novo aqui no batalha... Que tal uma batalha entre filmes? E que tal se estes filmes forem baseados na MESMA obra literária? Este é o propósito da primeira Batalha Cinematográfica. Conforme for avançando e tendo a opinião de vocês, vou mudando significativamente, ok?

Os filmes que escolhi são baseados em Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. As versões foram filmadas em 1940 e 2005. Serão 3 votos para decidir o vencedor: a técnica (por mim), o gosto do público (vocês) e a avaliação da crítica (no filmow, que será divulgado no próximo Batalha, em que o vencedor duelará com a versão da BBC).


Orgulho e Preconceito - 1940
Diretor: Robert Z. Leonard


1º Critério: Fidelidade à história original

O diretor e os roteiristas (Jane Murfin e Aldous Huxley) transformaram o filme em uma comédia com muitas liberdades. O número de cenas que não existem no livro é muito grande - em torno de 15.

2º Critério: Elenco

Laurence Olivier como Darcy não foi uma escolha feliz, já que o mesmo havia feito Heathcliff em O Morro dos Ventos Uivantes no ano anterior; seu "estilo" de atuação está mais próximo da personagem de Brontë, que se torna austero, em contrapartida a Darcy, que só é um pouco orgulhoso.
Greer Garson, que faz Elizabeth Bennet, faz um papel bom; todavia, sua "beleza" pode ser comparada à de Jane no mesmo filme, o que não chega a ser coerente com a história (Elizabeth não tem uma beleza que se nota em um primeiro momento).
Maureen O'Sullivan, Jane, é a escolha perfeita para o papel. Muito bonita, com ares de inocente.
Marsha Hunt é uma escolha infeliz para o papel de Mary Bennet. Como bem se vê no livro, a moça é "desprovida" de encantos, um pouco taciturna e muitas vezes incomodando em seu piano. Já no filme, é retratada como uma moça alegre, linda e exímia pianista.
Bruce Lester, atuando como Mr. Bingley, é uma escolha feliz. Um moço bonito, ingênuo como no livro.
Frieda Inescort faz um bom papel como Caroline Bingley: orgulhosa, bonita e extremamente fútil.
Edmund Gwenn é uma das piores escolhas do filme. Mr. Bennet aparece como um homem elegante e extremamente inteligente (como é), mas falta o caráter provinciano e ácido que é tão característico à personagem.
Mary Boland, como Mrs. Bennet, cumpre bem seu papel: ardilosa casamenteira.
Edward Ashley é uma escolha difícil de se classificar. Mr. Wickham, interpretado com ele, tem uma malícia, um jeito de ser que já alerta o espectador quanto a seu caráter. Isto é um aspecto negativo, mas a atuação é excelente.
Edna May Oliver, como Lady de Burgh, não é uma escolha boa definitivamente. A atriz não combina de nenhum modo com a personagem e sua atuação também não é digna da mesma.
Melville Cooper, como Mr. Collins, é uma das piores escolhas. Além de o homem não combinar em nada com sua personagem, as vestimentas que lhes deram e a atuação do mesmo conferem ao Collins deste filme um jeito muito diferente da personagem original.

3º Critério: Figurino
Um dos piores erros deste filme. O figurino foi reaproveitado de O Vento Levou, filme produzido no ano anterior, passado durante a Guerra de Secessão Americana (1861-1865), enquanto que Orgulho e Preconceito foi escrito em 1797. Ou seja: Incompatibilidade total!

4º Critério: Filmagens
Por ser um filme em preto e branco, é extremamente charmoso. As tomadas são muito boas e a sonoplastia, para a época, também é excelente.

Orgulho e Preconceito - 2005
Diretor: Joe Wright 




1º Critério: Fidelidade à história original

Há um número razoável de cenas que não acontecem no livro, como a declaração de Darcy na chuva. Percebe-se uma tentativa de idealizar o romance.

2º Critério: Elenco

Matthew MacFadyen é, sem dúvida, um dos melhores Mr. Darcy já feitos. O ator, em cena, tem porte e gravidade que são muitos semelhantes a Darcy. Um problema é o rosto abobalhado que ele faz perto de Lizzie, algo um tanto incomum no livro. Vale lembrar que ele fez Hareton (outra belíssima atuação, sem interferências negativas na de O&P), em O Morro dos Ventos Uivantes de 1998.
Keira Knightley também uma personagem que combina muito com o livro. Os olhos negros da atriz, o sorriso tão característico de Lizzie e sua beleza não tão aparente (vide cena em que chega à casa dos Bennets depois de uma caminhada) são características muito condizentes com a personagem. Todavia, a Lizzie que se apresenta no filme é idealizada. Mesmo cometendo o erro (que quem leu sabe qual é. Não vou colocar spoiler), não aparenta ser tão ingênua e preconceituosa como no livro.
Rosamund Pike, Jane, é uma escolha muito boa. Seu ar maduro e ao mesmo tempo inocente, e sua beleza jovial são coerentes com a personagem no livro.
Talulah Riley interpretando Mary Bennet é excelente. Sua atuação em combinação com suas falas e vestimentas constrói uma Mary muito próxima da descrita por Jane Austen.
Simon Woods, atuando como Mr. Bingley, é uma escolha das melhores escolhas do filme. É bonito e transborda inocência e sinceridade; mas poderia ser menos abobalhado (chega a parecer tonto, ao contrário do que o é Mr. Bingley do livro).
Kelly Reilly é uma das melhores convocações do filme. O seu jeito de interpretar Caroline, com aquele ar de afetada admiração, preocupação, sem esconder por completo seu deboche e futilidade é magnífico. Kelly consegue fazer com que você deteste a personagem - mais até que no livro!
Donald Sutherland tem as três características que o verdadeiro Mr. Bennet deveria ter: inteligência, acidez e provincianismo gritante.
Brenda Blethyn, como Mrs. Bennet, cumpre bem seu papel: ardilosa casamenteira. Os nervos dela parecem bem mais reais.
Rupert Friend é um ator que engana bem o espectador: suas feições e atuação no começo denotam caráter; mas no fim as mesmas denotam sua falta do mesmo.
Judi Dench, como Lady de Burgh, é uma escolha magnífica. O rosto austero da atriz, em conjunto com o cabelo extravagante, denotam a pessoa autoritária e até mesmo doente que Lady de Burgh é.
Tom Hollander é um excelente ator, mas não foi uma escolha feliz neste caso. Suas características corporais são pouco coerentes com a de Mr. Collins no livro; além disto, esta personagem é colocada como motivo de chacota durante quase todo o filme, de uma forma muito extravagante.

3º Critério: Figurino
Os figurinos são muito belos e coerentes com a história, em especial a diferença entre os provincianos (Elizabeth e as irmãs) em contraste com os da capital (Caroline, até mesmo Lady de Burgh).

4º Critério: Filmagens
É um filme com bons closes, mas as cores tiram um pouco do charme que um filme em preto e branco tem.

No Ringue...

                                                   1940 x 2005
1º Critério*:                                                 X              X
2º Critério**:                                              5/11         6/11   +                                
3º Critério***:                                              X              OK!
4º Critério****:                                            OK!            X    
FINAL:                                                         1      x      2             

*: Nenhum dos dois manteve uma fidelidade razoável ao livro.
**: de 11 personagens totais, 1940 tem 5 boas e 2005 tem 6.
***: 2005 leva o ponto pela coerência com a vestimenta.
****: 1940 leva o ponto pelo charme do preto e branco.

No critério técnico, 2005 venceu!

Agora é a vez de vocês votarem. Computarei os votos e no próximo Batalha divulgo o vencedor e sua próxima competição, certo?

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